Press Review

Restaurante com quartos
em ambiente caseiro

Inter Magazine - 10/1999


A origem do Lawrence's Hotel remonta ao século XXVIII

 

Adoptando o interessante lema de que
"o cliente está em primeiro, Ultimo e Unico lugar",
conheça a experiência de dois holandeses e a sua equipa no antigo Lawrence's Hotel, em Sintra. Quer-se chegar a um conforto caseiro, onde em complemento a ementa muda diariamente;
de antigamente ficou o nome e a vista.

Coreen a Jan Bos são há 10 anos os proprietários do que é hoje o renovado Lawrence's Hotel. Quando o casal o adquiriu, em ruínas, mal se conseguia penetrar no espaço de outrora. Hoje, para além das paredes da história a sustentar o empreendimento, há um modo particular de agir. Com experiências profissionais no estrangeiro, Coreen a Jan Bos trazem a novidade de no conjunto da oferta sobrevalorizarem o contacto com o cliente.

O pormenor, que complementado com a beleza natural do local, onde a infra-estrutura se encontra implantada, faz definitivamente a diferença. Passados alguns dias da abertura, o Lawrence's apresentou-se a INTER Magazine como um bom sucesso a constituir-se no curto prazo.

Falamos com os responsáveis pela direcção do hotel, o Chefe de sala e o Chefe executivo para lhe dar a conhecer uma equipa empenhada, consciente do seu forte produto a função.

A origem do Lawrence's Hotel remonta ao século XXVIII, havendo indicações acerca do início de actividade, que se terá dado entre 1760 a 1780. Na época era uma referência para os convalescentes pulmunares, devido aos benéficos ares da serra.


Nós somos Lawrence's em tudo o que está cá dentro, infelizmente precisámos de pôr hotel no nome, mas somos um restaurante com quartos

 

Chegámos ao lugar
Por ali passaram algumas personalidades no panorama intelectual, destacando-se os portugueses Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco a Eça de Queirós, que o cita n'Os Maias. Lord Byron, vulto da literatura de língua inglesa, também por ali passou a dá nome a uma das encantadoras suites da agora nova unidade, com um gostoso sabor antigo.

A experiência de Coreen a Jan Bos foi feita com formação profissional na Suíça a aplicação prática no grupo Savoy. Tomaram a decisão de vir para Portugal porque é um país de sol, mar, peixe fresco, com hotéis mas não iguais ao que haviam idealizado a partiram à descoberta.

Em 1989, quando Coreen e Jan Bos procuravam o local ideal para instalarem a dois, a ao seu modo, uma equipa de trabalho, encontraram o espaço perfeito. Sentiram, poder-se-á dizer pelo modo como o expressam, a sensação de ter chegado "ao lugar". Estava um dia nublado e a acolhedora Vila de Sintra oferecia-lhes um espaço com dois séculos de história, mas muito degradado. Para andar era preciso ter as mãos coladas à parede, lembra Coreen. Ainda havia outro espaço por ver, mas não foi preciso.

O que lhes chegava com o passar dos tempos era o jogo da burocracia e o necessário rol de desconexos actos para levar por fim o objectivo de (re)montar um hotel.

A atenção ao cliente é estrutural: "estamos cá para servir o nosso cliente", diz Jan Bos, ao que Coreen acrescenta: "temos interesse pelas pessoas". O resultado é que o cliente não só volta, como o mais comum é que fique mais tempo. "Nós somos Lawrence's em tudo o que está cá dentro, infelizmente precisámos de pôr hotel no nome, mas somos um restaurante com quartos." Assim se resume o essencial da filosofia empreendida.


a ementa muda no mínimo em três pratos por dia

 

Um lugar beneficiado
Já com alguns clientes de peso, entre os quais alguns governantes, orgulhosamente referidos, a aposta parece promissora, a julgar também pelos pratos apresentados. Não esquecendo obviamente quem os confecciona a os dispõe ao cliente.

Reforçando a ideia de ter uma "casa" ao serviço do cliente a ementa muda no mínimo em três pratos por dia. Quanto à oferta em Sintra, Jan Bos considera haver um défice de restaurantes e hotéis na região, pelo que o Lawrence's "não tem concorrência".

Quando se renova a pergunta acerca da caracterização da oferta em Sintra, Jan Bos envia a pergunta para Vitor Esteves, Chefe de cozinha da unidade, que sumariamente a caracteriza de "fraca", havendo necessidade de "mais qualidade". Quanto à decoração do lugar, ela está ligada a ideia de casa que se pretende fazer passar aos clientes, estando também relacionada com a própria história do hotel. São as madeiras a alguns objectos antigos adquiridos em leilões em Portugal c na Holanda, terra natal do casal Bos. E depois há o benefício do lugar, é um imenso descanso a paisagem à medida que se vai espreitando os diferentes quartos, pelos andares.

São 16 quartos, 5 dos quais suites, com nomes como Bela Vista, Monte da Lua, Eça de Queirós ou Lord Byron. Imperdível o terraço Allis Ubbo, já no emocionado último andar, com vista para o Castelo dos Mouros e o cantar dos pássaros sempre presentes. O lugar ideal para um fim de tarde ao sabor de um bom vinho português.

Existe ainda uma biblioteca, uma sala de chá, uma sala de conferências, com avançadas facilidades tecnológicas e, por último, mas não menor, o restaurante. Em breve existirá uma cave de vinhos do Porto a uma outra de vinhos tintos.

As expectativas de Jan Bos quanto ao Lawrence's são também elas fundamentadas na sua ideia particular de hotel-casa, "fazer as coisas à nossa maneira, encontrar uma casa" era o objectivo, pensam ter conseguido.

Quanto ao lema: "o cliente está em primeiro, último e o único lugar", parece ter sido adoptado generalizadamente, dado o conhecimento que o pessoal tem do mesmo. Comprovou-o a pronta resposta do Chefe de cozinha.

Entrada

Salada Lawrence's

Prato Principal

Lascas de bacalhau em crosta de milho e ervas

Sobremesa

Segredos conventuais

 

Actualização de receitas.
Vitor Esteves é o Chefe executivo do Lawrence's a detém um currículo diversificado. Também ele vai junto do cliente saber da opinião acerca dos pratos, tal como o faz o casal Bos. A formação iniciou-a no nosso País, tendo entre outros cursos frequentado o primeiro curso de aperfeiçoamento para Chefes de cozinha realizado em Portugal, no ano de 1995, complementou-a depois no estrangeiro, onde também tem experiências. O Caesar Park Penha Longa foi a experiência dos últimos cinco anos, onde desempenhou o cargo de sub-Chefe executivo. Já no Lawrence's, a em conjunto com alguns colegas, estagiou em duas unidades na Inglaterra, acção a repetir anualmente, dado o carácter dinâmico a empreendedor necessário a uma boa a actual execução da cozinha e a necessária concordância da investidora gerência.

Sobre a cozinha a apresentar no recém aberto Lawrence's classifica-a de "diferente", fazendo actualmente "uma série de experiências" que têm tido uma boa aceitação. De registar que foi encontrada a ementa do primeiro Chefe de cozinha do originário Lawrence's Hotel a que Vitor Esteves irá proceder à actualização de algumas receitas constantes desse livro.

A sua classe, os cozinheiros portugueses, considera-a melhorada. Isto porque em seu entender, nos dias de hoje, "as pessoas preocupam-se cada vez mais com o seu aperfeiçoamento, tentando ficar menos tempo nas casas", a fim de obter uma maior experiência. Querem subir a saber mais, tendo necessidade de boa formação a procuram-na. Porém, o sistema não oferece grandes alternativas, levando-o a considerar com naturalidade que a mesma está "caduca". Nesse aspecto destaca o papel da ACPP pelas acções que leva a cabo, não deixando de lembrar que o núcleo organizativo é pequeno e os associados nem sempre pagam as quotas. É preciso estar atento e participar até porque "está a ser feito um bom trabalho para dignificar a profissão".
 

O objectivo comum.
O sr. Santos é empregado de sala a prestou funções numa das anteriores gerências do agora Lawrence's. O espaço era outro, bem como as facilidades e apoios, era muito novo mas lembra que esta foi sempre "uma casa de requinte a diferenciação entre as outras, já na altura uma casa de grande luxo". Agora, passadas três décadas, volta a passar pela experiência o que muito the parece agradar.

O Chefe de sala ou Maitre D' é Francisco Alves a diz adorar a "front of the house e o seu challenge". Vem-lhe à boca o inglês com a maior naturalidade, dado que passou os últimos 10 anos em igual serviço na Inglaterra. Conviver, conversar a saber de outras culturas é possível através do seu trabalho. Compara a experiência a ler um livro, uma pessoa emocionada com os livros dos dias a as experiências que passa.

Tal como nos dizia a dada altura o Chefe de cozinha, sobre o que the agradava neste modo de trabalhar, o relacionamento entre pessoas com um objectivo comum a bastante difundido entre todos, servir o cliente, também o Maitre D' o confirmava. Viu-se no relacionamento entre o pessoal.

Um objectivo importante que a direcção do casal Bos terá conseguido, talvez mais facilitado por não se tratar de uma unidade de pequena dimensão, mas a reter como exemplo, porque terá havido um facto, também ele fundamental, quis-se chegar a um objectivo, houve estratégia. E no final sabe-se o que acontece, agrada-se o cliente que volta, ou fica mais algum tempo e dá razão de existir ao alojamento, neste caso em forma de uma agradável casa com quartos.
       


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