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Press Review A MESA E O SONHO |
Foi ali que Lord Byron,
o poeta a herói romântico, viu o Glorious Eden, num arrebatamento
também sentido por Herculano, Camilo, Bulhão Pato, Ramalho
Ortigão ou Eça de Queirós. Estamos
em Sintra, no Hotel Lawrence's. Em redor, o "variegado labirinto
de montes a vales" que inflamou o romantismo de Byron, a que Eça
descreveu corn a mesma paixão, através do olhar de uma personagem
de Os Maias: " ... E de ali olhava a rica vastidão de arvoredo
cerrado, a que só se vêem os cimos redondos, vestindo o declive
da Serra como o musgo veste um muro." Quem visita o Lawrence's, o
mais antigo hotel da Península lbérica a um dos primeiros
da Europa, tem o privilégio de usufruir essa paisagem única,
justamente considerada património da humanidade, e de partilhar
sentimentos corn alguns dos maiores vultos da cultura dos séculos
XIX a XX. Ninguém pode ficar indiferente perante tal beleza, nem
esconder a emoção que ela provoca. E, nesse lugar mágico,
ainda há oportunidade para usufruir outros prazeres, designadamente
os da boa mesa, que é uma tradição do Lawrence's.
Vem a propósito citar Júlio César Machado ("Machadinho",
"Le Petit Machado", "Literato Janota" ou "Folhetimfex
Maximus", como lhe chamou Ramalho), porventura o mais célebre
folhetinista da Lisboa dos finais do século XIX, que confessava:
"... Quando quero supor-me em Londres por alguns dias, vou simplesmente
para o hotel Lawrence, em Sintra (...). Quando em qualquer terra houver
seis hospedarias, a uma delas for inglesa, há-de ser esta onde
mais se coma, onde se bebe melhor, onde haja um criado mais activo, a
onde mais se conserva o respeito pelo comfortable!..." |
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O
hotel já não tem a pronúncia escocesa da família
Lawrence, há muito afastada. Depois de vicissitudes várias,
acabou em ruínas a teria perecido ingloriamente se não se
tivesse dado o caso do casal holandês Jan e Coreen Bos dele se enamorar.
Fadado para o romance, o hotel recuperou a sua belíssima imagem
de outros tempos, quando reabriu, em 1991. E o restaurante voltou a serum
lugar prestigiado, quer pela localização, que é esplendorosa,
quer pela cozinha, que é requintada. Pontificam, ali, dois jovens
portugueses: os chefes Helder Damião (cozinha) e Paulo Martins
(pastelaria).Pratica-se uma cozinha de autor, moderna a criativa, embora inspirada na tradição portuguesa a preocupada com os seus produtos a os seus sabores mais genuínos. A ementa varia ac, ritmo das estações. Entre as sugestões de Verão, anotamos: Foie gras de ganso na grelha com pimenta verde a frutos tropicais, Paté de camarão a espargos verdes com manga, Lascas de bacalhau Lawrence's com broa a ervas aromáticas, Espeto de tamboril a camarão em pau de louro, Sela de javali em croute com pêra, Peitinho de frango grelhado, a Encontro do Mar a da Terra: tournedó de novilho com carabineiro da Tailândia a molho de rnorilles. Tudo delícias, como as que os chefes Helder a Paulo prepararam especialmente para a Casa Claudia. |
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